Como Fugir da Aparência do Mal!

Como Fugir da Aparência do Mal!

Por Ellen G. White
“Abstende-vos de toda a aparência do mal.” 1 Tessalonicenses 5:22. Se uma mulher relata a outro homem suas dificuldades de família, ou se queixa do esposo, ela transgride seus votos matrimoniais; desonra seu esposo, e derriba o muro erguido para preservar a santidade da ligação matrimonial; abre de par em par a porta e convida Satanás para entrar com suas tentações.* — Testimonies for the Church 2:305-307 (1868).”
“Sinto-me impelida a falar aos que estão empenhados em dar ao mundo a última mensagem de advertência. Depende muito do obreiro mesmo, que as almas pelas quais ele trabalha reconheçam e abracem a verdade. A injunção de Deus é esta: “Purificai-vos, os que levais os vasos do Senhor” (Isa. 52:11); e Paulo exorta a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina.” I Tim. 4:16. A obra tem de começar pelo obreiro; precisa ele de estar unido a Cristo, como a vara à videira. “Eu sou a videira”, disse Jesus: “vós as varas.” João 15:5. Nesta imagem está figurada a ligação mais íntima possível. Enxertai na videira verde a vara despida de folhagem e tornar-se-á um ramo vivo, que tira seiva e alimento da mesma videira. Fibra com fibra e artéria com artéria se ligam, e a seiva, subindo por elas, faz que na vara brotem folhas e nasçam frutos. A vara destituída de seiva representa o pecador; unido a Cristo, alma se une a alma, o frágil e mortal ao santo e infinito, e o homem se torna um com Cristo.
“Sem Mim”, disse Cristo, “nada podereis fazer.” João 15:5. Acaso estamos nós, que presumimos ser obreiros de Cristo, unidos a Ele como a vara à videira? Permanecemos nós em Cristo e somos um com Ele? A mensagem que levamos é mundial. Tem de ser levada a toda a nação, tribo, língua e povo. O Senhor não quer que um só de nós se constitua um portador dessa mensagem, sem dar-nos graça e poder a fim de apresentá-la ao povo de modo correspondente à sua importância. A grande questão para nós hoje é: estamos proclamando esta solene mensagem de verdade no mundo, de modo a fazer ressaltar sua gravidade? O Senhor promete cooperar com o obreiro que se puser na inteira dependência de Cristo. Não é Sua vontade que os missionários trabalhem sem Sua graça e carecidos de Seu poder.
Cristo nos escolheu do mundo para que fôssemos um povo peculiar e santo. Deu-Se “a Si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras”. Tito 2:14. Os obreiros de Deus precisam ser homens de oração, estudantes diligentes da Escritura, que tenham sede e fome de justiça, a fim de que possam ser uma luz e conforto para outros. Nosso Deus é Deus zeloso; requer de nós que O adoremos em espírito e verdade, na beleza da santidade. Diz o salmista: “Se eu atender a iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá.” Sal. 66:18. Como obreiros devemos ter cuidado dos nossos caminhos. Se o salmista não podia ser ouvido, se atendesse à iniqüidade em sua alma, como poderiam ser agora ouvidas as orações de homens que abrigam a iniqüidade no coração?
Fugir da Menor Aproximação do Mal
Expirando o tempo de expectativa em 1844, o fanatismo penetrou nas fileiras dos adventistas. Deus enviou, pois, mensagens de advertência a fim de afastar o mal que irrompia. Havia exagerada intimidade entre certos homens e mulheres. Apresentei-lhes a norma santa da verdade que nos cumpria seguir e a pureza de conduta que importava observar, a fim de termos a aprovação de Deus e estarmos sem mácula nem ruga diante dele. As mais solenes ameaças vieram dirigidas de Deus a homens e mulheres cujos pensamentos não eram puros e que pretendiam estar sendo particularmente favorecidos pelo Senhor; mas essas mensagens foram desprezadas e rejeitadas. Voltando-se contra mim, diziam: “Porventura falou Deus somente por meio de ti e não também por meio de nós?” Não se emendaram e Deus permitiu que prosseguissem em seu caminho até que o pecado se patenteasse em sua vida.
Também agora não estamos isentos de perigo. Cada alma empenhada em proclamar a mensagem de advertência ao mundo há de ser fortemente tentada a seguir uma conduta que seria a negação de sua fé. É o plano premeditado de Satanás tornar os obreiros, em conseqüência de suas deficiências de caráter, fracos na oração, virtude e influência. Nós, como obreiros, devemos unir-nos no propósito de suprimir e condenar tudo que em nossas relações mútuas tenha alguma afinidade com o mal. Nossa fé é santa; nossa obra tem por fim vindicar a honra da lei de Deus e não pode ser de natureza a reduzir o padrão moral das idéias ou do comportamento de quem quer que seja.
Devemos colocar-nos num ponto de vista elevado. Devemos crer e pregar a verdade como é em Cristo. A santidade nunca há de conduzir a atos menos honestos. Se alguém, que pretende ensinar a verdade, se inclina a estar muito na companhia de uma moça ou mesmo de uma senhora casada; se em confiança, chega a pôr-lhe a mão, ou se se entretém a miúdo com ela em conversações íntimas, acautelai-vos contra ele; os princípios puros da verdade não estão arraigados em sua alma. Essas pessoas não estão em Cristo, nem Cristo nelas. Necessitam de uma legítima conversão antes que Deus possa aceitar seu trabalho. A verdade de origem divina jamais degradará ao que a recebe, jamais o induzirá a qualquer intimidade indébita; ao contrário, santifica o crente, educa-lhe o gosto, eleva-o e enobrece-o e põe-no em comunhão íntima com Jesus. Leva-o a atender à exortação do apóstolo, no sentido de evitar a própria aparência do mal, para que “não seja pois blasfemado o vosso bem”. Rom. 14:16.
É este um assunto que nos importa considerar; devemos acautelar-nos contra os pecados deste século corrupto. Devemos fugir de tudo que tenha sinais de uma familiaridade suspeita. Deus o condena. É um terreno proibido e há perigo em pôr nele o pé. Cada palavra e ato devem elevar e enobrecer o caráter. É pecado pensar levianamente acerca destas coisas. O apóstolo Paulo exorta Timóteo à diligência e exatidão em seu ministério, e a meditar sobre coisas que são boas e puras para que o seu aproveitamento seja manifesto a todos. Os mesmos conselhos muito necessitam os moços do presente tempo. Muita ponderação é o que precisamos. Se os nossos obreiros refletissem mais em vez de se deixarem levar por impulsos de momento, obteriam muito maior êxito em seu trabalho. Estamos tratando com coisas de infinito alcance e não devemos prejudicar a obra com os defeitos de nosso caráter. Devemos representar o caráter de Cristo.
Nobres no Pensamento e na Ação
Temos um grande trabalho a fazer, a fim de elevar homens e ganhá-los para Cristo, induzindo-os a aspirarem diligentemente à participação da natureza divina, depois de haverem escapado às corrupções deste século. Cada pensamento, palavra e ato de nossos obreiros deve ter aquele caráter elevado que está em conformidade com a verdade sagrada que defendem.
É possível que em nossos grandes campos missionários homens e mulheres tenham de trabalhar juntos. Nessa hipótese todo o cuidado será pouco. Que os homens casados sejam circunspectos e recatados, para que nenhuma acusação lhes possa ser justamente feita. Estamos vivendo em um tempo em que a iniqüidade predomina, e uma palavra irrefletida ou ato inconveniente pode prejudicar muito a utilidade daquele que revelar tal fraqueza. Que os obreiros observem as fronteiras do recato, nada deixando acontecer de que o inimigo possa tirar vantagem. Se começarem a dirigir suas afeições um ao outro, tratando com particular atenção aos preferidos e usando palavras lisonjeiras, o Senhor lhes subtrairá Seu Espírito.
Quando homens casados vão para o trabalho, deixando suas esposas presidindo aos cuidados da casa, estas estão fazendo um serviço tão importante como o marido. Enquanto o marido é missionário lá fora, ela não o é menos em casa, excedendo muitas vezes o marido quanto aos cuidados, solicitude e trabalhos com que tem de arcar. Sua obra, que consiste em desenvolver e moldar a inteligência e o caráter dos filhos e educá-los para serem homens úteis aqui e idôneos para a futura vida imortal, é uma obra sagrada e importante. O marido, lá fora pode ser cumulado de honras da parte dos homens, ao passo que a fiel obreira em casa ficará privada dessa recompensa. Mas se ela se empenhar pela felicidade da família, esforçando-se por formar caracteres à imagem divina, os anjos arrolarão o seu nome junto ao dos maiores missionários do mundo. Deus não vê as coisas como se apresentam à visão finita do homem. Quão cuidadoso deve ser o marido e pai em manter fidelidade ao voto conjugal! Quão circunspecto deve revelar-se quanto ao caráter, a fim de não despertar nas moças ou mesmo nas senhoras casadas pensamentos que não correspondam à elevada e santa norma – os mandamentos de Deus! Esses mandamentos, como Cristo os expôs, são muitíssimo amplos, atingindo até aos pensamentos e propósitos do coração. É aqui que se prova a delinqüência de muitos. A imaginação de seu coração não é de caráter puro e santo como Deus o requer, e por mais elevada que seja sua vocação, por mais talentoso que sejam, Deus assinalará seu pecado e a Seus olhos serão mais culpados e mais dignos de Sua ira do que os menos prendados, que possuem menos luz e são dotados de menos influência.
Evitar Louvor e Lisonja
Fico contristada ao ver como homens são louvados, lisonjeados e preferidos. Deus me revelou que alguns dos que têm recebido essas atenções não são dignos de tomarem o Seu nome nos lábios; contudo são exaltados até ao Céu na apreciação de seres finitos, que julgam somente pelas aparências. Minhas irmãs, não vos excedais em atenções nem lisonjeeis a pobres homens falíveis e mortais, sejam jovens ou idosos, casados ou solteiros. Não lhes conheceis as fraquezas e não sabeis se porventura essas atenções e excessivo louvor que lhes teceis não venham a determinar sua ruína. Estou alarmada com a estreiteza de vista e a falta de prudência que muitos manifestam a este respeito.
Homens que estão fazendo a obra de Deus e têm a Cristo
no coração, não amesquinharão o padrão da moralidade cristã, mas procurarão elevá-lo o mais possível. Não acharão prazer nas lisonjas de mulheres ou em ser delas preferidos. Digam todos, solteiros e casados: Alto! Não quero dar o mais ligeiro motivo para que me acusem. Meu bom nome tem para mim maior valor do que o ouro e prata: quero conservá-lo impoluto. Se os homens desfizerem dele, não deve ser porque lhes tenha dado motivo para isso, mas pelo mesmo motivo pelo qual também blasfemaram de Cristo, isto é, porque odiavam a pureza e santidade de Seu caráter, que para eles era constante acusação.
Quisera que me fosse dado inculcar em todo obreiro da causa de Deus a grande necessidade de orar com zelo e persistência. Não poderão estar continuamente de joelhos, mas poderão elevar o coração a Deus. Esta foi a maneira como Enoque andou com Deus. Tende cuidado não suceda que vos domine a idéia da suficiência própria e Cristo seja eliminado de vosso coração, trabalhando vós na vossa própria força em vez de na força e no espírito de vosso Mestre. Não desperdiceis momentos preciosos em conversações frívolas. Quando voltardes de algum trabalho missionário, não deveis louvar vossos esforços e sim exaltar a Jesus; enaltecei a cruz do Calvário.
Não permitais que alguém vos elogie, lisonjeie ou aperte vossa mão como se não quisesse tornar a largá-la. Temei toda a demonstração desse gênero. Quando moços ou mesmo pessoas casadas revelam inclinação para descobrir-vos segredos de família, acautelai-vos! Quando manifestam o desejo de possuir vossa simpatia, deveis saber que é hora de pôr-vos de sobreaviso. Os que estão imbuídos do espírito de Cristo e andam com Deus, não manifestarão desejos não santificados de simpatia. Desfrutam da comunhão de Alguém que satisfaz neles plenamente todo o desejo do espírito e da alma. Homens casados que aceitam as atenções, elogios e lisonjas da parte de mulheres, podem estar certos de que o amor e simpatia dessas pessoas não merecem ser estimados.
A Firmeza de José
As mulheres são muitas vezes tentadoras. Sob este ou aquele pretexto cativam a atenção dos homens, sejam casados ou solteiros, e continuam seduzindo-os até que tenham transgredido a lei de Deus, tornando-se inaptos para o trabalho, e sua alma esteja em grave risco. A história de José foi relatada para benefício dos que são tentados à sua semelhança. José provou-se inabalável em seus princípios, respondendo à sua sedutora: “Como pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra Deus?” Gên. 39:9. Força moral como a que ele manifestou é de que estamos precisando hoje.
Se as mulheres quisessem corrigir sua conduta e tornar-se cooperadoras de Cristo, sua influência ofereceria menos perigo, mas com a sua real negligência quanto aos deveres domésticos e as exigências que Deus tem a seu respeito, sua influência se exerce com força em prejuízo da orientação legítima, suas faculdades se atrofiam, e sua obra não tem a aprovação divina. Não são missionárias em casa nem fora; e com freqüência seu lar, seu precioso lar, é deixado em completo abandono.
Todo o homem que professa a Cristo deve esforçar-se por vencer tudo que é indigno de um homem, toda fraqueza e leviandade. Alguns jamais chegam até a estatura perfeita de homens em Cristo Jesus. São ingênuos e presumidos; mas a piedade poderia corrigir todos estes defeitos. A verdadeira religião não se caracteriza por uma condescendência ingênua. É em todos os aspectos digna. Oxalá nenhum dos que se alistaram como soldados nas fileiras de Cristo venha a desviar-se no dia da prova. Todos devem reconhecer que têm um trabalho sério a fazer, que é elevar os semelhantes de seu estado decaído. A ninguém assiste o direito de depor as armas em meio da luta que torna mais desejável a virtude e odioso o vício; para o cristão ativo não há descanso aquém das moradas eternas. Obedecer aos mandamentos de Deus é fazer o que é justo e somente o que é justo. Nisto consiste a varonilidade cristã.
Mas muitos necessitam tomar repetidas e freqüentes lições do exemplo de Cristo, que é o autor e consumador de nossa fé.”
Testemunhos Seletos – Volume 2, Capítulo 35 – Págs. 232- 245.