Este texto é um condensado de anotações que fiz para uma pregação. Como meus esboços costumam ser bem detalhados (coisas de quem escreve) e algumas pessoas estavam lembrando desse sermão, resolvi postar aqui o esboço. Ressalto que ele foi inspirado em ideias de Dietrich Bonhoeffer em seu livro “Discipulado”.

Aprendi cedo… que graça é favor imerecido de Deus. Graça é um presente que ganhamos mesmo sem poder pagar por ele. Aprendi que é pela graça que somos salvos.

Não posso deixar de lembrar uma frase sobre a graça que me marca até hoje: “Não há nada que você possa fazer para Deus te amar menos. E nada que possa fazer para ele te amar mais. Ele te ama e pronto”.

Entretanto, de uns tempos para cá, tenho visto que muitos cristãos estão deturpando o conceito de graça divina, tornando a graça preciosa de Deus num lixo barato, numa filosofia gospel, numa vida sem exigências e limites.

Por isso, queria compartilhar com vocês o que realmente significa a graça divina…

1. A graça divina não foi algo que veio de graça. Ela custou ao Pai o sangue do seu Filho Jesus. De maneira que ela é preciosíssima.

1 Pedro 1.18 Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo.

Se é assim, se o Pai pagou um preço altíssimo pela graça, por que achamos que a graça tem que vir de graça, sem preço algum para nós? A verdadeira graça não é de graça – ela tem um preço pessoal. Você recebe a graça de ser salvo, mas não pode se manter nela se não estiver disposto a pagar o preço por sua manutenção.

Alguns poderão dizer: “Ei, Jesus pagou o preço pelos meus pecados na cruz!”. Sim, mas talvez seja nesta frase que se começam os maus-entendidos sobre o que realmente é graça…

O que é graça?

Tito 2.11 Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. 12 Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, 13 enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.

Esta graça salvadora nos ensina, nos leva a renunciar nossa maldade e nossos desejos maus. Ela nos leva a viver de maneira diferente. Assim, se você diz que recebeu a graça salvadora de Deus, mas não está num processo de mudança de vida, você está fora da graça. Você não entendeu o realmente significa graça.

Graça é mudança de vida, arrependimento. Quem vive uma graça barata, falsa, usa a graça para justificar seu pecado, dizendo que Deus é capaz de perdoar tudo, mas não entende que a verdadeira graça nos leva a uma vida diferente daquela que tínhamos antes de sermos achados por ela. Por que será que Paulo escreveu?

1 Coríntios 9. 27 Esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.

Era porque ele sabia que a verdadeira graça é mudança de vida constante, arrependimento dos pecados, de renúncia constante de nossas vontades.

O que é graça?

Romanos 6.15 E então? Vamos pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma! 16 Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?

Paulo nos ensina que a vida humana é uma escolha entre dois senhores: pecado ou obediência. A verdadeira graça nos coloca sobre a tutela de um novo Senhor. Mas o que muita gente esquece é que continuamos na posição de escravos. A diferença agora é o Senhor a quem servimos.

Graça é obediência, é submissão, é a escolha da cruz. Quem vive uma graça barata, deseja somente os benefícios da graça (salvação, bênçãos, curas, milagres), mas não deseja o sofrimento da cruz, o discipulado, a obediência. A verdadeira graça proclamada por Jesus foi:

Marcos 8:34 Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

Não se trata de uma imposição, mas de uma escolha. “Se alguém quiser” – é uma escolha pessoal sobre quem realmente será o Senhor de sua vida. É uma escolha pelo sofrimento por fazer o certo que nos acomete quando negamos a nós mesmos nossas vontades pecaminosas.

O que é graça?

2 Coríntios 5.14 Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. 15 E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

Graça é constrangimento, incômodo, desconforto, vergonha. Quem vive a graça barata, é superficial, não se envolve com Deus, não o experimenta, não entende o que significa “morrer”. Quando pensamos na graça de Deus, isso nos deixa envergonhados, constrangidos. “Eu não mereço isso!” A única saída para este constrangimento é a devoção àquele que nos deu sua vida por nós. Devoção é consagrar-se, entregar-se a alguém.

Quem realmente entende o que significa a verdadeira graça, mesmo trêmulo, temeroso do que isso possa significar, é levado a dizer…

Mateus 6.9 ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. 10 Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Gálatas 2.20 Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.

Qual graça você deseja viver?

A graça barata procura justificar os pecados dizendo que Deus a tudo perdoa. A verdadeira graça nos leva ao arrependimento e mudança de vida.

A graça barata deseja somente as bênçãos de Deus. A verdadeira graça sabe que precisa se submeter e que andar com Cristo é carregar uma cruz.

A graça barata é superficial, sem entendimento do que realmente seja morrer em Cristo. A verdadeira graça nos deixa constrangidos a ponto de abrirmos mão de nossa vida e vontade.

| Leia o artigo original: Graça barata versus graça verdadeira – Jeitos de Olhar http://www.jeitosdeolhar.com.br/2014/04/03/graca-barata-graca-verdadeira/#ixzz46qxBmE3z
| Jeitos de Olhar: contemplando o Criador e suas criaturas por diversas lentes.
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