O que é o autismo? (Infantil e Adulto) – Das causas aos sinais e o tratamento!

O que é o autismo? (Infantil e Adulto) – Das causas aos sinais e o tratamento!

Pesquisado e adaptado por:

Prof. Marcos Peter T. Soares*

*autista asperger (diagnosticado aos 35 anos), pai de Isaac autista de grau moderado (diagnosticado aos 4 anos) editor desse Blog e do Canal GSVTV no Youtube. Ao final da pesquisa a seguir, eu incluí dois relatos de minha vivência como autista adulto e pai de autista.

Nessa terça-feira  (02) de abril é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, conhecido como TEA (Transtorno do Espectro Autista). A partir dessa semana vamos incluir um assunto diferente além de teologia e espiritualidade aqui Blog. Vez ou outra vamos tratar sobre o tema do autismo que hoje já é tido como um tema de saúde pública em âmbito mundial.

Neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

O que é o autismo?
Tipos de autismo
Graus de autismo
Causas
Fatores de risco
Mecanismo de acontecimento
Quais os sintomas do autismo?
Diagnóstico
Tratamento
O autismo é uma doença que precisa de “cura” ou é uma condição?
Enfrentando a situação
Prevenção                                                                                                                                                                                                                      Dois Relatos de um adulto autista e pai de autista

 

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O que é o autismo?

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) reúne quatro desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância: transtorno autista, transtorno desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS), e Síndrome de Asperger.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5 (referência mundial de critérios para diagnósticos), pessoas dentro do espectro podem apresentar deficiência intelectual, dificuldades de coordenação motora e de atenção. Embora todas as pessoas com TEA partilhem estas dificuldades, cada uma delas será afetada em intensidades diferentes, resultando em situações bem particulares. Apesar de ser comumente chamado de autismo infantil, pelo diagnóstico ser comum em crianças e até bebês, os transtornos são condições permanentes que acompanham a pessoa por todas as etapas da vida.

O Autismo, também conhecido como Transtornos do Espectro Autista (TEA), são transtornos que causam problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e comportamento social da criança.

Dados de 2017, da Organização Mundial da Saúde (OMS), revelam que 1 em cada 160 crianças tem transtorno do espectro autista (TEA)

Uma pesquisa atual realizada neste ano do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) diz que o autismo atinge ambos os sexos e todas as etnias, porém o número de ocorrências é maior entre o sexo masculino (cerca de 4,5 vezes).

Esse transtorno é uma condição e não uma doença, por isso não possui “cura”, e suas causas ainda são incertas, mas estão ligadas ao meio ambiente, genética idade dos pais, entre outras. Mas o autismo pode ser trabalhado, reabilitado, modificado e tratado para que, assim, o paciente possa se adequar ao convívio social e às atividades acadêmicas o melhor possível.

Quanto antes o Autismo for diagnosticado melhor, pois o transtorno não atinge apenas a saúde do indivíduo, mas também de seus cuidadores, que, em muitos casos, acabam se sentindo incapazes de encararem a situação.

Nomenclaturas para o Autismo
Com o passar dos anos, o Autismo recebeu diversos nomes para ser representado. Entre eles estão:

Transtorno do Espectro Autista;
Condição do Espectro do Autismo;
Autismo Clássico;
Autismo Kanner;
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento;
Autismo de Alto Funcionamento;
Síndrome de Asperger;
Demanda Patológica Avoidance.

Atualmente, por conta das mudanças recentes e dos principais manuais de diagnóstico, o termo que abrange todos os outros e que será o mais comumente na hora do diagnóstico é o primeiro da lista, isto é, Transtorno do Espectro Autista.

Tipos de Autismo
De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), são existentes 3 tipos de Autismo:

Síndrome de Asperger;
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento;
Transtorno Autista.
Outros 2 tipos também são anexados a esses, só que dessa vez pelo Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais:

Síndrome de Rett;
Transtorno Desintegrativo da Infância.
Entenda melhor o que é cada tipo logo abaixo.

Síndrome de Asperger
A Síndrome de Asperger é a forma mais leve do espectro autista. As crianças que a possuem normalmente se tornam extremamente obsessivos por um único objeto e também se interessam demais pelo seu assunto preferido, podendo discuti-lo por horas a fio, sem parar.

A síndrome afeta três vezes mais os meninos e, quem a desenvolve, normalmente possui inteligência acima da média. Por conta disso, alguns médicos a chamam de “Autismo de Alto Funcionamento”.

Em contrapartida, quando esses pacientes atingem a fase adulta, o risco de depressão e/ou ansiedade se desenvolverem é muito alta.

Transtorno Invasivo do Desenvolvimento
Crianças que possuam um tipo de autismo um pouco mais grave do que a Síndrome de Asperger e um pouco mais leve do que o Transtorno Autista são diagnosticadas com Transtorno Invasivo do Desenvolvimento.

Pelo fato dos sintomas desse tipo de transtorno variarem bastante, pode-se dizer que os mais comuns são:

Interação social prejudicada;
Competência linguística razoável superior ao Transtorno Autista, mas inferior a Síndrome de Asperger;
Menos comportamentos repetitivos.
Transtorno Autista
Todas as crianças que possuam sintomas mais rígidos do que os citados anteriormente possuem o transtorno autista. O funcionamento da capacidade social, cognitiva e linguística é bastante afetado, além de possuírem comportamentos repetitivos.

Síndrome de Rett
Por mais que as crianças com esse problema possuam comportamentos muito parecidos com os autistas, a Síndrome de Rett não está relacionada ao espectro autista.

Especialistas dizem que a mutação presente na síndrome acontece de forma aleatória ao invés de ser herdada e ela afeta, em sua maioria, crianças do sexo feminino.

A síndrome é caracterizada por alguns itens e aparecem entre o 6º e o 18º mês da criança:

Para de responder socialmente;
Torce demais as mãos, o que se torna um hábito;
Perde competências linguísticas;
O crescimento da cabeça diminui significativamente e, por 2 anos, é muito abaixo do normal.
Transtorno Desintegrativo da Infância
Esse tipo de autismo é o mais grave de todos os presentes no Espectro Autista, porém também é o menos comum cerca de 2 crianças de 100 mil são diagnosticadas com Transtorno Desintegrativo da Infância.

Quanto aos sintomas, pode-se dizer que depois de um período de desenvolvimento normal, geralmente entre 2 e 4 anos de idade, a criança com esse tipo de transtorno perde de maneira muito brusca as habilidades sociais, linguísticas e intelectuais. Além disso, essas funções perdidas não são mais recuperadas.

Graus de autismo
Além desses tipos apresentados, o Transtorno do Espectro Autista também é dividido em graus:

Leve (nível 1)
Comunicação social: Crianças desse nível costumam ter dificuldade para iniciarem uma interação social com outras pessoas. Além disso, também podem apresentar pouco interesse por essas interações sociais.
Comportamentos repetitivos e restritos: A inflexibilidade do comportamento interfere diretamente no funcionamento de um ou mais contexto. As crianças também tem dificuldade significativa em trocar de atividade e problemas de organização e planejamento são obstáculos à sua independência.

Moderado (nível 2)
Comunicação social: Nesse nível, as crianças apresentam um grave déficit nas suas habilidades sociais, sejam elas verbais ou não. Além disso, também possuem prejuízos sociais mesmo quando recebem apoio e limitações para iniciar algum tipo de interação.
Comportamentos repetitivos e restritos: Caracterizado pela inflexibilidade do comportamento, a criança também tem dificuldade em lidar com mudanças, além de apresentarem comportamentos restritos/repetitivos frequentemente.

Grave (nível 3)
Comunicação social: Crianças com Autismo de nível 3 tem déficits graves na comunicação verbal e não verbal. Também tem dificuldade em iniciar uma interação social ou se abrir a alguma que parta de outras pessoas.
Comportamentos repetitivos e restritos: Quanto aos comportamentos, as crianças em nível 3 possuem os mesmos apresentados pelas crianças em nível 2.

Causas
Até hoje, as causas do autismo são inconclusivas e, desde os meados dos anos 1940, a medicina tenta desvendá-las. Devido a algumas pesquisas e estudos voltados ao assunto – que se fazem presente desde os anos 1970/1980 –, acredita-se que o transtorno possui ligações com alterações genéticas. Há pesquisas recentes que levam a esperar que em breve haverá testes genéticos que irá detectar o autismo através de exames de DNA por exemplo.

Hoje, com a evolução gradativa da genética e dos avanços neurocientíficos e neuropsicológicos, os resultados de diversas investigações sobre o Autismo relatam que o transtorno possui associações com mutações genéticas, síndromes, doenças metabólicas, epilepsias e demais transtornos de desenvolvimento.

Há alguma relação entre vacinas e o autismo?
Antes de qualquer coisa, a resposta é: não, não há relação alguma entre o transtorno com o fato de tomar algum tipo de vacina!

A ideia dessa relação surgiu em 1998 quando um estudo sugeriu que a vacina que combate o Sarampo, a Caxumba e a Rubéola (a MMR) pode provocar autismo. Desde então, inúmeras pesquisas foram realizadas e cada uma delas constatou que não há relação entre uma coisa e outra.

Feito isso, o estudo foi dado como falso e o médico que o escreveu perdeu a sua licença.

Por mais que haja diversas constatações sobre a informação ser apenas um mito, vários pais ainda ficam receosos na hora de vacinarem os seus filhos o que é de extremo risco, pois essas doenças são contagiosas e, quando uma criança as contrai, pode transmitir rapidamente para outras.

Fatores de risco
Por mais que as causas do Autismo não sejam conhecidas, os cientistas sugerem que alguns fatores desempenham papéis importantes no desenvolvimento do transtorno. Eles são:

Gênero: Crianças do sexo masculino são mais propensos a terem Autismo. Estima-se que para cada 8 meninos autistas, 1 menina também é.
Genética: Cerca de 20% das crianças que possuem Autismo também possuem outras condições genéticas, como Síndrome de Down, Síndrome do X frágil, esclerose tuberosa, entre outras.
Pais mais velhos: A ciência diz que, quanto mais velho alguém ter um filho, mais riscos as crianças tem de desenvolver algum tipo de problema. E com o Autismo não é diferente.
Parentes autistas: Caso a família já possua histórico de Autismo, as chances de alguém também possuir são maiores.

Mecanismo de acontecimento
Todos os sintomas do transtorno decorrem de algumas mudanças que o cérebro sofre, porém ainda não é conhecido a forma exata de como o Autismo acontece. O seu mecanismo pode ser dividido em duas grandes áreas:

A fisipatologia das estruturas cerebrais e os processos associados com o autismo;
A neuropsicologia dos comportamentos cerebrais.
Veja a seguir o que caracteriza cada uma dessas áreas.

Fisiopatologia
Diferente de outros transtornos que afetam o cérebro, como o Mal de Parkinson, o Autismo não possui um mecanismo claro, seja ele a nível molecular, celular ou de sistema.

Por isso, estudiosos ainda não sabem bem se o Autismo é caracterizado por diversas desordens ocasionadas por mutações nas moléculas ou se ele é um conjunto de doenças que possui diversos mecanismos.

Alguns estudos apontam que o mecanismo do transtorno possui alteração no desenvolvimento do cérebro logo após a sua concepção, o que acaba fazendo com que esse órgão de crianças autistas cresça mais rapidamente do que o normal.

Esse crescimento excessivo pode estar ligado a algumas dessas hipóteses:

Excesso de neurônios que causam conexões em demasia em locais importantes do cérebro;
Migração neuronal perturbado durante a gestação;
Redes desequilibradas excitatórias-inibitórias;
Formação anormal de sinapses e espinhas dendríticas.
Com relação ao sistema imunológico, pensa-se que ele desempenha um papel super importante no autismo. Foram encontradas em algumas crianças que possuem o transtorno inflamações no sistema imunológico periférico e central.

Essa interação entre os sistemas imunológico e nervoso se dá ainda no estágio embrionário da criança e acredita-se que isso acontece devido ao uso de substâncias tóxicas ou infecções por parte da mãe. Já quanto aos neurotransmissores, ainda não se compreende muito bem.

Supõe-se que a serotonina, produzida por essas substâncias químicas, possui diferenças genéticas em seu transporte, o que acaba gerando a síndrome do X frágil, causa mais comum do Autismo.

Neuropsicologia
Dentro desse grupo, têm-se duas grandes categorias de teorias cognitivas que relacionam o cérebro com o comportamento autista, sendo a primeira delas voltada ao déficit da socialização e a outra às transformações não-sociais.

Primeira categoria
A teoria de sistematização da empatia Simon Baron-Cohen diz que as pessoas autistas podem desenvolver regras internas de funcionamento para manipular acontecimentos que acontecem consigo, porém são incapazes de desenvolver a empatia.

Estudos apontam que essa capacidade de ser empático com outras pessoas acontece quando é necessária a compreensão de emoções sociais mais complexas.

Segunda categoria
Essa categoria estuda as funções dos trabalhos da memória, planejamento e inibição.

Estudiosos afirmam que o não funcionamento correto dessas funções interferem diretamente nas ações sociais e cognitivas das pessoas.

Eles também dizem que há um progresso nessas funções a partir do final da infância para a adolescência, porém não atingem o nível dos adultos que não possuem o problema.

Quais os sintomas do Autismo?
O Espectro Autista é caracterizado pela dificuldade da pessoa em se comunicar e também em interagir socialmente. Além disso, a pessoa que sofre do transtorno tem a tendência de praticar alguns comportamentos repetidamente.

Confira abaixo como cada sintoma interfere na vida do paciente.

Mudanças sociais
Geralmente, crianças entre 2 e 3 meses já observam os rostos próximos, voltam-se para vozes e sorriem.

Na questão do autismo, essas ações não acontecem e, quando tem por volta de 8 a 10 meses, essas crianças começam a apresentar alguns sintomas como falta de resposta quando chamadas e também do interesse para com as pessoas ao seu redor.

Além disso, muitas crianças autistas possuem dificuldade em participar de brincadeiras que envolvam um grupo, preferindo brincarem sozinhas. Também podem ter dificuldade em interpretar gestos e expressões faciais do outro, o que faz com que o mundo seja um lugar desconcertante para eles.

Dificuldades de comunicação
Em um desenvolvimento normal de uma criança, a aprendizagem das línguas – tanto verbais quanto através de gestos – se dá desde muito cedo. Um dos primeiros meios de comunicação de um bebê é a fala balbuciada e até o seu primeiro ano, ele já afirma uma ou duas palavras.

Em contrapartida, algumas crianças com Autismo tendem a não balbuciar, falar e também não aprendem a se comunicar com gestos. Outras, por sua vez, possuem atrasos de linguagem e começam a falar apenas alguns anos depois do que seria o normal.

Quando a linguagem começa a se desenvolver, a criança autista pode utilizar a sua voz de forma inusitada, ter dificuldade em combinar palavras em frases que possuam sentido ou, ainda, repetir a mesma frase várias vezes.

Comportamentos repetitivos
Comportamentos repetitivos incomuns ou tendência a se envolver em apenas algumas atividades são outros sintomas característicos do Autismo. Dentre os comportamentos, encontram-se ações como mãos batendo, balançar de corpo, reorganização de objetos e repetição de sons e palavras.

Já quanto a característica das atividades restritas, ela pode ser identificada, por exemplo, quando uma criança faz uma fila de brinquedos de uma maneira muito específica ao invés de brincar com eles.

Quando a atividade sai da rota que a criança previamente estipulou, normalmente ela se estressa.

Esses interesses extremos podem transformar-se em obsessões, gerando adultos que desenvolvem um interesse muito grande em números, símbolos, datas ou temas da ciência.

Sintomas devido a outras condições médicas
Além dos sintomas já descritos, alguns outros podem se manifestar também, devido a associação que o Autismo tem com outras condições. São eles:

Doenças genéticas;
Doenças gastrointestinais;
Distúrbios convulsivos;
Disfunção do sono;
Problemas de processamento sensorial.

Diagnóstico
Não há nenhum exame específico para que o diagnóstico seja realizado. Como o Autismo é um transtorno que afeta a linguagem e a interação social, a criança que o possui precisa ser analisada por um grupo de pessoas e profissionais que convivem com ela – incluindo pediatras, psicólogos, professores e os pais.

De acordo com a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), de 2013, os critérios para que um caso de Autismo seja identificado são:

Inabilidade persistente na comunicação e interação social que se manifesta através de 3 características:
Déficit na reciprocidade socioemocional;
Déficit no comportamento não-verbal para a interação social;
Déficit no processo de desenvolver e manter um relacionamento.
Padrões restritos e repetitivos no comportamento e que são manifestados por, pelo menos, 2 destes itens:
Fala, movimentos motores ou uso de objetos de maneira repetitiva;
Adesão excessiva a rotinas, rituais verbais ou não-verbais ou excessiva relutância à mudanças;
Interesses fixos e altamente restritos que acabam sendo anormais para quem vê de fora;
Hiper ou hiporreatividade à percepção sensorial de estímulos ou interesse excessivo para estímulos senso-perceptivos.
Além da observação desses critérios, um exame físico e outro psicológico também podem ser requeridos, bem como uma ferramenta de exame específica, como por exemplo:

Entrevista diagnóstica para autismo revisada (ADIR);
Programa de observação diagnóstica do autismo (ADOS);
Escala de classificação do autismo em crianças (CARS);
Escala de classificação do autismo de Gilliam;
Teste de triagem para transtornos invasivos do desenvolvimento.
É importante lembrar que os sintomas do transtorno se apresentam de forma heterogênea, ou seja, cada criança possui um jeito muito particular de ser. Eles variam intensamente quanto ao grau de comprometimento, associação ou não com deficiência intelectual e com presença ou não de fala.

Essas variações e o momento do diagnóstico influenciam – e muito – na definição da resposta aos tratamentos e se a evolução dos mesmos está sendo favorável ou não.

Diagnóstico em crianças mais velhas e adolescentes
Quando o autismo é notado após o início da escola, muitas vezes é reconhecido pela equipe de educação da mesma.

Dentre os problemas de comunicação que se apresentam nas crianças, podem ser encontrados a interpretação do tom de voz e a dificuldade em entender expressões faciais, figuras de linguagem, humor ou sarcasmo.

Além disso, os pais podem achar também que seu filho tem dificuldade em fazer amizade com os colegas.

Diagnóstico em adultos
Em alguns casos, os adultos percebem sinais e sintomas de Autismo neles próprios. Quando isso acontece, normalmente procuram ajuda de um psicólogo ou psiquiatra e esse, por sua vez, irá fazer algumas perguntas referentes às suas preocupações com interação social e desafios de comunicação.

Essas informações e o histórico de desenvolvimento da pessoa ajudam na hora do diagnóstico preciso.

Tratamento
Mesmo com todas as pesquisas referentes ao Autismo em andamento, ainda não há um medicamento específico para o seu tratamento, bem como uma cura. Porém, há diversas maneiras para se tratar as funções cognitivas e funcionais da criança desde o momento em que foi diagnosticada.

Para isso, uma equipe multidisciplinar é importante, pois cada especialista irá trabalhar em um certo tipo de desenvolvimento.

Nas fase de 0 a 2 anos, o acompanhamento da criança com um fonoaudiólogo é essencial, pois isso irá ajudá-la a desenvolver a linguagem não-verbal. A estimulação pode ser feita através de jogos e brincadeiras, contação de histórias e conversas.

Terapia ocupacional e comportamental também são relevantes na hora do tratamento, pois assim o cérebro do paciente passa a perceber os estímulos sensoriais.

Não há uma regra específica de tratamento, pois cada criança possui as suas particularidades. Portanto, a equipe multidisciplinar decidirá qual o tipo de tratamento que deve ser abordado.

Dentre essas formas de tratamento, existem alguns tipos de métodos de intervenção, comprovados cientificamente, aos quais os profissionais acabam por se basear. Confira abaixo quais são eles:

TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Relate Communication Handcapped Children)
Visando a independência e o aprendizado da criança, o TEACCH é estruturado para combinar diversas cores e materiais visuais em um único ambiente a fim de organizar a rotina e o sistema de trabalho empregado.

PECS (Picture Exchange Communication System)
Esse método de comunicação é realizado através de troca de figuras e ajuda não só os pacientes que possuem problema e/ou limitações na fala, mas também aqueles que sequer chegaram a desenvolvê-la.

ABA (Applied Behavior Analysis)
Literalmente, a ABA é uma análise comportamental da criança que se embasa nos princípios fundamentais da teoria do aprendizado. Dentro dela, há algumas técnicas e estratégias de ensino que incluem:

Tentativas discretas;
Análise de tarefas;
Ensino incidental;
Análise funcional.
Uso de medicamentos
Alguns profissionais indicam o uso de certos medicamentos para que os sintomas do transtorno sejam amenizados, porém não há nenhum medicamento específico para o tratamento do Autismo em si.

Os problemas comportamentais e/ou emocionais do paciente que podem ser tratados com medicamentos são:

Agressividade;
Ansiedade;
Hiperatividade;
Impulsividade;
Irritabilidade;
Alterações de humor;
Surtos;
Dificuldade para dormir;
Ataques de raiva.
Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Dieta
Vários especialistas não concordam com o fato de que uma dieta restrita possa ajudar no tratamento do Autismo.

Porém, se mesmo assim você quiser usar essa via como forma de auxílio, é importante que consulte antes um gastroenterologista e um nutricionista para que eles possam desenvolver uma dieta correta para o paciente.

Apoio aos pais
É importante salientar que nem sempre são apenas as crianças autistas que necessitam de acompanhamento. Como os pais normalmente se dedicam intensamente a elas, muitas vezes ficam frustrados e desgastados pelo fato de não poderem ajudá-las de maneira significativa.

Portanto, acompanhamento psicológico pode ser efetivo na diminuição da ansiedade e do estresse que enfrentam.

O autismo é uma doença que precisa de “cura” ou é uma condição?

Para muitos estudiosos o autismo não é considerado uma doença, mas um conjunto de transtornos, por isso não se fala de uma “cura” do autismo. Contudo há como vimos, sintomas e/ou doenças em comorbidade (que aparecem junto com o autismo), que sim podem ser tratadas/controladas, como por exemplo o transtorno de ansiedade, dificuldades para dormir, depressão e etc. Pelo fato do transtorno não ser de caráter progressivo, há vários casos de pacientes autistas que possuem um nível muito satisfatório de recuperação. Muitos saem do grau severo e passam para o grau leve.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, crianças e adultos autistas podem fazer contato visual com outras pessoas, além de demonstrarem afeto ao sorrir/rir e diversas outras emoções.

Algumas, ainda, conseguem manter um emprego de forma responsável, mantém uma relação estável com outras pessoas, casam-se e criam filhos. Mas, mesmo nesses casos, não se pode falar em uma “cura”, pois embora o desenvolvimento seja excelente, as características autistas permanecem por toda a vida. Resumindo, o autismo é uma condição e não uma doença.

A título de analogia, uma pessoa que nasce sem braços e pernas pode até tentar usar algum tipo de prótese, mas nasceu e estará biológica e fisicamente naquela condição especial para o resto da vida. Sua necessidade especial é  uma condição e não uma doença, a mesma coisa se dá com o autismo, os tratamentos das comorbidades ajudam a dar melhor qualidade de vida, mas, não é uma “cura” do autismo. 

 

Enfrentando a situação
Cuidar de uma criança autista pode ser, na maioria das vezes, exaustivo não só fisicamente mas também emocionalmente. Para que isso não ocorra, algumas dicas são válidas:

Encontre uma equipe de profissionais de confiança
Algumas decisões sobre a educação e o tratamento de seu filho precisam ser tomadas e, elas, muitas vezes não são fáceis. Portanto, em primeiro lugar, a equipe multidisciplinar que estará em constante contato com a criança precisa ser de confiança e eficiente.

Tire um tempo para si mesmo
Para que o esgotamento seja evitado e, assim, seus relacionamentos pessoais e familiares não sejam afetados, tire um tempo para você relaxar e se exercitar.

Procure outras famílias que também tenham crianças com autismo
Às vezes procurar ajuda com outras pessoas que também enfrentam os desafios proporcionados pelo transtorno pode ser eficiente, devido aos seus conselhos. Procure ver se não há nenhum grupo de apoio em sua região.

Saiba mais sobre o transtorno
Há diversos mitos e equívocos sobre o Autismo. Portanto, é sempre bom se informar sobre a questão para que você possa ajudar o seu filho da melhor maneira possível.

Mantenha registros de visitas
Seu filho poderá ter visitas de muitas pessoas ao longo de seu tratamento, seja com profissionais ou familiares. Para que isso ajude no desenvolvimento e na monitoração do mesmo, mantenha um arquivo organizado de todas as reuniões e seus respectivos relatórios.

Mantenha-se atualizado sobre novas opções de terapias
A cada ano que passa, pesquisadores buscam encontrar novas tecnologias e terapias para que novas abordagens de ajuda sejam feitas nas crianças que possuem Autismo.

Fatores de risco

– Sexo masculino: o autismo é de duas a quatro vezes e meia mais frequente em meninos do que em meninas

– Predisposição genética

– Poluição

– Infecções como rubéola durante a gravidez

– Alguns estudos apontam uma relação com certas vacinas por conterem chumbo e outros elementos

A prevenção

Na falta de causas além das genéticas, comprovadamente capazes de provocar o autismo, a recomendação para as grávidas é evitar ambientes com alto nível de poluição, exposição a produtos tóxicos e ingestão de bebida alcoólica, por exemplo. Outra medida bem-vinda é se previnir contra rubéola para evitar essa doença infecciosa durante a gestação.  Alguns estudiosos dizem que não há maneiras de prevenir o Autismo. Porém, como já explicado, o transtorno pode ser tratado, fazendo com que as crianças ou adultos melhorem a sua linguagem e suas habilidades sociais. Quanto mais cedo for o diagnóstico e se iniciarem os tratamentos maiores serão as chances do portador de TEA progredir em seu desenvolvimento e habilidades.

Caso o seu filho seja diagnosticado como autista, converse com especialistas sobre formas eficazes de tratamento mais adequadas. Cada caso é um caso. Não existem dois autistas iguais, assim como não há duas pessoas neurotípicas (“normais) iguais.

Compartilhe esse artigo com seus conhecidos e amigos, para que essas informações possam chegar ao maior número de pessoas possível! E lembre-se, nem todo ser humano é autista, mas, todo autista é ser humano!

Fontes consultadas
Autism Spectrum Disorder – National Institute of Mental Health
What Are the Symptoms of Autism? – Autism Speaks
Autism Spectrum Disorder – Mayo Clinic
Is There a Connection Between Vaccines and Autism? – KidsHealth
Associação de Amigos do Autista
National Autistic Society

www . minutosaudavel.com.br/o-que-e-autismo-sintomas-tipos-infantil-leve-e-mais/ 

www . autismoerealidade.org.br/o-que-e-o-autismo/

www . saude.abril.com.br/mente-saudavel/o-que-e-autismo-das-causas-aos-sinais-e-o-tratamento/

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Dois Relatos de um adulto autista e pai de autista:

DESCOBRI QUE SOU AUTISTA/ASPERGER:

RELATO DE UM ADULTO PAI DE AUTISTA E DIAGNOSTICADO COM TEA SÓ AOS 35 ANOS

Por Marcos Peter Teixeira Soares

Por um tempo não conseguia entender isso e até queria duvidar. Mas não havia como negar os sinais e o diagnóstico feito após vários testes. Depois de parar, pensar e pensar de novo e me aceitar como sou, resolvi assumir minha condição publicamente. Vou deixar aqui meu relato porque talvez ele possa motivar e ajudar a tantas outras pessoas que assim como eu desconfiam que há algo de diferente com elas. Me chamo Marcos Peter Soares, sou casado com a Miley, pai do Isaac, professor e teólogo e cristão adventista reformador. Sou o criador do grupo Amigos Adventistas Autistas no facebook e semelhante ao meu amigo Dr. Roberto Mendes que é psicólogo formado e também autista, estou na casa dos 30 e poucos anos. 36 anos para ser exato.

Tive uma infância “aparentemente normal”, mas, ao mesmo tempo que sempre fui muito bom na escola fui também sempre muito reservado e de poucos amigos mais íntimos. Sempre tive um comportamento muito “caseiro” como diz minha mãe. Sempre gostei de ficar mais em casa do que sair com amigos de mesma idade. Tenho um irmão mais novo. Brincávamos algumas vezes juntos, mas, no geral cada um tinha as suas brincadeiras em separado, apesar de termos apenas 2 anos de diferença na idade. Sempre gostava de ouvir pessoas mais velhas conversando e na quinta série (hoje sexto ano do fundamental) no colégio, pedi a direção para me transferir para uma classe de adultos. Observação, nesse tempo eu tinha apenas 11 anos. Quando tinha por volta de 12 ou 13 anos ganhei do meu pai um PC XT (computador de mesa da década de 1980 muito utilizado em bancos e escritórios de organizações estatais e privadas), que um amigo dele havia arrematado num leilão. 

Naquela época às vezes passava oito ou mais horas envolvido com aquele computador. Perdia até a fome, mas estava sempre feliz perto daquela máquina. A minha mãe sofria com aquilo. Só um detalhe, naquele tempo não existia internet em casa e a mesma estava longe de se tornar tão acessível. Nos primeiros anos passava quase todo esse tempo estudando linguagens e comandos do sistema MS DOS e posteriormente do sistema Windows. Ficava focado ali no meu mundo. Me incomodava muito com barulhos mesmo com os que não eram muito altos. 
Acredito que por não ter recebido o diagnóstico cedo e por meus pais não terem nenhuma informação sobre o que era o Transtorno do Espectro Autista e por ser educado como uma criança neurotípica (“normal”) super protegida, fui criando mecanismos de adaptação, e assim adaptado ao convívio social de forma relativamente normal.

Contudo quando chegou a adolescência tinha uma certa dificuldade de fazer amizades mais profundas e sempre tinha um certo receio de arranjar namoradas. Depois de um tempo passei a pensar em ficar sem ter nenhum relacionamento afetivo com nenhuma menina. Creio que o convívio na igreja, cantando nos grupos musicais, participando de reuniões pra adolescentes e jovens fez com que eu me adaptasse e camuflasse as dificuldades de interação social. Porém em casa continuava cada vez mais hiperfocado em assuntos de meu interesse. 

Aos 15 anos conheci minha primeira e única namorada de verdade, a minha amada Miley, que hoje é a minha esposa e companheira de todas as lutas. Quando eu estava com 16, iniciamos nosso namoro. Morávamos em cidades diferentes, o que me proporcionava muito tempo comigo mesmo. Depois de nove anos, entre namoro e noivado, nos casamos. Morria de medo de casar e perder meu espaço, minha solidão que sempre foi reconfortante e boa para mim, e temia não saber conduzir um relacionamento mais sério assim, isso tudo sem eu saber o motivo.

No período de noivado e casamento tivemos várias discussões porque eu não aceitava mudar certas rotinas e sempre queria tudo do meu jeito, e tinha dificuldade de entender certas formas de linguagem que minha esposa usava comigo. Em 2002 passei no vestibular com ótima nota e nota máxima na redação. Sempre fui bom em escrever. Cursei Letras com Inglês. Sempre tive grande facilidade para aprender idiomas e para assuntos ligados a teologia. Na faculdade ia bem nas matérias ligadas a inglês, mas, já noutras, as quais eu não gostava e até desprezava por não ser um hiperfoco, tinha grande dificuldade. Agradeço a Deus por vários colegas maravilhosos que tive na época da faculdade. Graças a Deus, esses meus colegas me ajudaram muito e sou grato a eles até hoje.

Creio que se os professores e eu soubéssemos do TEA, eles teriam adaptado algumas das avaliações para mim, pois tinha dificuldade de estudar as matérias pelas quais não as tinha como foco, e tinha a questão da ansiedade. Em 2006 passei entre os primeiros colocados para professor de inglês no concurso público para professores, do Governo do Estado da Bahia, concluí minha graduação em Letras e em 2007 tomei posse no referido concurso público. Em 2008 minha esposa e eu nos casamos e no mesmo ano passei numa seleção para professor visitante da mesma universidade onde cursei letras, a UNEB. Em 2009 comecei minha segunda graduação, em teologia. Em 2010 nascia nosso filho, o Isaac Peter. Ele nasceu com uma síndrome rara chamada ESCLEROSE TUBEROSA MATERNA.

A partir daí minha ansiedade começou a aumentar. Tinha um grande medo de ser pai. Mas hoje não sei se conseguiria continuar a viver se perdesse o Isaac. Em 2011 começamos a estudar pela primeira vez o que era autismo, porque a síndrome de Isaac em 50% dos casos está associada ao autismo. Por volta de 2014 nosso filho recebeu o segundo diagnóstico, o de autismo. Ele é autista de grau moderado. Depois de um tempo observando os comportamentos e reações de meu filho em analogia com os meus, minha esposa começou a desconfiar que houvesse algo diferente comigo e traços de autismo em minha personalidade. Em 2016 passei por uma grande frustração por não ter sido concretizado um sonho antigo que quase se tornou real. Foi então que entrei num início de depressão e alto índice de ansiedade.

Tive várias crises de ansiedade ao longo da juventude e no casamento, mas, aquela foi a pior. Então em 2016 recebi diagnóstico de TAG – transtorno de ansiedade generalizada. Em 2017 descobri os relatos do Leonard Akira Ribeiro e do Ton Ton no Youtube. Finalmente em janeiro de 2018, aos 35 anos, após me consultar com a doutora Sandra Mara Costa em São Bernardo do Campo – SP, recebi o diagnóstico de autismo de grau leve/alto desempenho, ou asperger como queiram. Tenho vários hiperfocos, momentos de grande ansiedade em muitas situações e dificuldade de fazer amizades mais profundas. Sou apaixonado por colecionar livros, ler, pensar em projetos, idiomas, viagens missionárias, estudar sobre sobrevivencialismo, motorhomes, carros antigos, astronomia amadora e etc.

Amo meu filho e minha esposa. A minha esposa tem me ajudado muito. É uma guerreira que sabe quais são nossas lutas reais e que me motiva a continuar a caminhada. Tenho o projeto de pesquisar na área da saúde, entrar na área médico-missionária e tentar fazer o mestrado em neurociência em uma universidade fora do país (falo inglês e gosto muito de estudar idiomas), ou no Brasil para estudar sobre os impactos de dietas e terapias alternativas sobre as sinapses cerebrais de autistas.

O meu desejo é estudar mais, pensando em ajudar na busca por um tratamento mais eficaz e quem sabe talvez na futura descoberta de um possível medicamento para a “cura” das comorbidades e dos sintomas incômodos do autismo, tais como a ansiedade e os déficits de atenção, a dificuldade de concentração, e dificuldades de aprendizagem e interação social. Tenho dificuldade de sair de casa, e muitas vezes de participar até mesmo de reuniões de meu interesse fora de casa. Na maioria das vezes receber visitas em casa, participar de festas e eventos sociais, e fazer amizades com pessoas que não tenham os mesmos hiperfocos (que tenha conexão comigo) é muito difícil e gera muita ansiedade.

Pra mim é difícil iniciar e terminar projetos em prazos determinados ou na velocidade que desejo devido ao pensamento acelerado e a minha dificuldade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Muitas vezes tenho dificuldade de concentração devido as muitas ideias ao mesmo tempo e aos transtornos sensoriais como o auditivo e visual e ao transtorno de ansiedade. Raramente telefono para meus amigos e mesmo meus familiares. Quero ligar, mas, acabo me focando demais em minhas tarefas e focos e os dias passam sem eu ver. Uso tampões de ouvido para conseguir me concentrar melhor e para dormir e óculos escuros para sair durante o dia. Por outro lado tenho uma memória muito boa. Aprendo muto rápido, mais ouvindo e vendo, do que lendo. Memorizo tudo que me interessa e que leio e estudo.

Uma coisa que me irrita muito é injustiça. Compro uma briga fácil, fácil, quando sinto que estou lutando contra algo que vejo ser uma injustiça. E quando foco nesse tipo de luta contra aquilo que sinto ser o errado só paro quando tiver resolvido o problema. As vezes perco muitas amizades por causa desse jeito autista de ser inconformado com as injustiças dos humanos.

Para o futuro breve, se Deus permitir, se Jesus não vier antes ou se eu não descansar no Senhor antes, tenho alguns hiperfocos. Sonhos materiais para o futuro não são muitos, mas incluem: pesquisar sobre o autismo, adquirir um motorhome missionários, abrir uma Escola Médico Missionária no campo e ajudar meu filho a se desenvolver melhor.

Creio que buscando primeiro o reino de Deus as demais coisas serão acrescentadas. Uma coisa de cada vez. Bem, desculpem-me pelo texto gigante. TENHO DIFICULDADE EM RESUMIR AS PALAVRAS quando falo do que gosto e especialmente quando me expresso de forma escrita. Beijos a todos! E aos demais autistas ou amigos de autistas do grupo sintam-se livres para deixar seu comentário! Sonhem, lutem, com DEUS tudo é possível! Agradeço a Deus a esposa que Ele me concedeu e que me ajuda nessa jornada e pela vida de nosso filho amado. Minha Miley Pinheiro Araujo Soares te amo!

MINHA DIFICULDADE DE INTERAÇÃO SOCIAL:

RELATO DE UM ADULTO AUTISTA DIAGNOSTICADO AOS 35 ANOS

 

Por Marcos Peter Teixeira Soares

 

Olá pessoal! Sobre algumas das minhas dificuldades como pessoa autista (Síndrome de Asperger) (dentro do TEA) em relação aos relacionamentos e interação com outras pessoas (neurotípicas ou não), quero dividir com vocês algo bem particular, para dar a minha parcela de contribuição na conscientização sobre o autismo: Tenho interesse em me relacionar mais de perto com pessoas que compartilhem dos mesmos interesses em comum (no meu caso: religião/teologia, livros, idiomas, autismo, trabalho missionário e estudos, por exemplo), e especialmente com aquelas, que eu penso, sejam pessoas com as quais eu possa aprender algo útil que me interessa. Gosto de me relacionar com alguém que também se sinta bem com a minha companhia e que tenha um diálogo agradável e interessante (e em momentos específicos). Obviamente isso a partir de minhas definições e visões do que seja uma pessoa e/ou conversa inteligente e interessante.

 Não desprezando outras pessoas que tenham um diálogo prazeroso, que fique claro. Sou muito apegado a minha esposa e filho. Mesmo assim há alguns momentos que (se possível for) não os quero por perto para os ouvir ou conversar. E isso não significa que eu não os ame ou que não tenha empatia, muito pelo contrário. Os amo muito e quando os quero por perto quero mesmo e quero muito, com muita intensidade. Para o autista é bom ficar mais sozinho porque é reconfortante. Para mim ficar sozinho com meus pensamentos e atividades me proporciona muito conforto e prazer. Infelizmente, penso que não consigo expressar isso plenamente em palavras, mas, espero que tentem vislumbrar isso em vossas mentes. Gosto mais de ficar só (de ficar no meu universo paralelo de pensamentos, ideias e planos) do que conversando cara a cara com outra pessoa.

 É por isso que receber visitas em casa ou fazer visitas, para mim, se torna um grande desafio. Mas isso não é 24 horas por dia. É claro que existe o AJUSTE DE COMPORTAMENTO, e as vezes a gente se ajusta de acordo a situação. Todos (ou quase todos) os seres humanos fazem isso. Quando quero conversar com minha esposa quero a total atenção dela, por exemplo.

 Quando estamos em casa a noite e chega a hora de ir dormir, caso a minha esposa esteja desocupada e por perto, faço questão que ela me faça companhia. Se não me dá a atenção que julgo ser a devida ou não vem dormir no mesmo momento que eu, fico um pouco frustrado. Sei que isso pode parecer egoísmo, mas, é uma necessidade de companhia que os autistas tem em certos momentos. Ou seja, as vezes queremos muito ficar sozinhos, mas, há momentos em que a presença de alguém bem perto é algo vital.

 A necessidade de solidão não significa necessariamente que não queremos ter amigos ou relacionamentos. Às vezes gosto de conversar com uma pessoa que não faz parte de meu círculo diário, mas, apenas pelo momento suficiente para resolver algo que precisa ser resolvido, e preferencialmente em ambiente externo a meu cantinho. Então sim, sinto necessidade de amizades. Sou muito sincero. Não “vou com a cara de qualquer pessoa”, mas, quando “vou com a cara de alguém”, me torno um amigo fiel. Sou muito parecido com o nosso filho, o Isaac.

 Quando gosto de alguém, gosto de verdade, quando não há sintonia, não há, mas amo a todos os seres humanos indistintamente. Nos relacionamentos a sinceridade autista se destaca. Portanto se digo a você que eu gosto de você ou de tua companhia ou conversa, é verdade. No dia a dia prefiro muito mais me interagir ou conversar com outras pessoas usando os meios tecnológicos como as redes sociais ou o telefone. Essa forma de comunicação é menos invasiva e mais tranquila para mim. Isso não significa que eu não goste as vezes de bater um bom bapo cara a cara. Se o assunto for de meu interesse podemos conversar horas a fio. Das pessoas que mais gosto, se tenho que escolher entre receber mensagem de texto ou ouvir a voz, prefiro ouvir a voz. Ainda que em áudio gravado.

 Mesmo quando se trata das pessoas que gosto muito, posso passar um bom tempo sem chama-las pra conversar, e isso também não significa que não queira me relacionar com elas ou que não pense ou me lembre delas. Não é desatenção, por favor entendam. Como disse acima, tenho dificuldades também com o receber visitas (especialmente as não agendadas com boa antecedência) caso não faça um planejamento mental bem antecipado. Ainda que tenha planejado algo nesse sentido, há dias em que não sinto vontade de receber ninguém, mesmo a rainha da Inglaterra, rss. No geral gosto de ficar só. Especialmente no conforto de casa, seja para ler, estudar, ver as notícias de meu interesse, acessar a internet, assistir algum sermão em vídeo ou documentário, editar vídeos ou escrever e etc.

 Paradoxalmente, ao mesmo tempo gosto de palestrar na igreja, dar aulas para adultos sobre religião, teologia e etc., mesmo que tenha que viajar longas distancias para realizar essas que chamo de “missões”, desde que sem muito envolvimento pessoal no pós “missão cumprida”. Tudo sempre dentro de um tempo limite e em situações muito bem programadas, que eu possa prever bem como será (começo, meio e fim) bem antes de elas acontecerem. Não gosto muito de festas, sejam elas de que tipo forem. Festas surpresa então, nem se fala. Tenho dificuldades em ambientes com muitas pessoas. Isso em parte devido as questões sensoriais como a hipersensibilidade auditiva, visual e a seletividade alimentar. As vezes, tento ir apenas a uma festa para fazer companhia a minha esposa. Fico ansioso se for avisado muito próximo da data.

 O mais interessante de tudo isso, é que além de ser um adulto asperger (estar no TEA), também sou pai de uma criança autista de 8 anos que as vezes gosta muito de interagir comigo e com sua mãe e que as vezes faz muitos barulhos, rss. Lembrando que trago no meu autismo a hiper sensibilidade sensorial auditiva. É aí que entra a força do amor. A gente pede forças a Deus e tenta equalizar todas as coisas.

 Pela graça de Deus vamos nos adequando e aprendendo a aceitar uns aos outros e a vivermos um dia de cada vez com o nosso amor que é singular, mas, continua sendo amor.

 

Precisamos conhecer mais do autismo para aceitar e incluir. Afinal, nem todo ser humano é autista, mas, todo autista é ser humano. “O amor de Cristo nos constrange”, inclusive a amar e buscar entender as diferentes condições de nosso próximo. Abraços aos amigos que tem empatia de verdade, sejam eles os virtuais ou os de perto.